quinta-feira, 8 de outubro de 2009

NATUREZA MORTA

Filosofando
Todas as quintas

Odion Monte

- Hoje no fim da tarde vendo uma pequena floresta queimando, com grandes labaredas vermelhas, aos poucos percebi que tudo o que tinha de vida nesta linda floresta estava morrendo queimado, e aos poucos as chamas iam se apagando, a imensa fumaça das árvores queimada, subiam ao céu, e se perdiam, como se fosse à alma daquelas lindas árvores, e dos animais que ainda agonizavam se contorcendo entre as cinzas. As labaredas que aos poucos diminuíam se apagava aos poucos, depois de ter queimado a tudo.

- O cheiro de árvores queimadas, assim como da carne dos animais, eram levados pelo vento, que aos poucos iam me dando ânsia de vomito, a fumaça que adentrava em meus olhos, ardia como pimenta, me fazendo lagrimejar tanto que parecia uma criança chorando ao ver o seu principal brinquedo no fogo se queimando. E no inicio da noite, já escurecendo, devido a tudo queimado, e os olhos ardendo pela fumaça, pouco enxergava, mas mesmo naquela penumbra, sem muito ver, podia imaginar que tudo ali estava morto, pois o fogo tinha com suas ardentes chamas, incinerado a tudo, fauna e flora, uma destruição total.


- Aos poucos fui fechando os olhos, e vi minha vida toda. Nascimento, crescimento com muitas dificuldades, relacionamentos não resolvidos, trabalhos sem fim, dificuldades em tudo o que a vida nos oferece de bom e de ruim, amores, desamores, convivências, família, casamento!!! Casamento!!! Este o mais complicado de todos, pois nunca conseguimos entendê-lo, onde as duas metades pouco se entendem. Vivemos por muitos e longos anos juntos, às vezes até vinte anos, e quando menos esperamos, percebemos que nada conhecemos um do outro. Este é o casamento, um contrato fácil de fazer, e difícil de desfazer, brigas, partilha de bens, distância de filhos, e no final quem decide é a justiça civil, a famigerada vara de família.


- E o tal do amor! A coisa mais abstrata que conhecemos. Não conseguimos ver, nem ao menos pegar, não ouvimos, nunca sabemos o seu tamanho. Mas este ser anonimato, conseguimos sentir, sabemos quando nasce e quando morre, pois em sua morte nos mata aos poucos também. E ainda me pergunto onde nasce e vive o amor? E eu mesmo me respondo. Nasce e vive no coração, pois mesmo sem vê-lo, sem tocá-lo, em sua morte sentimos o coração palpitar forte ou mais fraco. Então o coração deveria ser igual a uma granada, com um pino de segurança que pudéssemos retirá-lo quando o amor perecesse, explodindo e queimando todo o corpo, e nada sobrando. Igual aquela linda floresta após a queimada. Assim não teríamos diferença um do outro, o corpo e a floresta, seriamos uma natureza morta...

Odion Monte - contador, especialista em Filosofia Política pela Universidade de Teologia e Filosofia de Rio Branco - Acre (SINAL). É ainda, especialista em Pericia Judicial – UCG – Universidade Católica de Goiás - Bel. em Ciências Contábeis - FIRB/FAAO/AC

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