quarta-feira, 29 de julho de 2009

DA FAMILIA À CALÇADA E DA CALÇADA À LAMA

Filosofando

Todas as quintas

Odion Monte

Uá! Uá ! Uá! Uá ! Uá! Uá ! Uá! Uá ! Uá! Uá ! Meus pequenos pulmões se encheram de ar, eu abrir os meus olhinhos, e pelos meus pequenos ouvidinhos, ouvia muitas vozes falando, é uma linda e perfeita menina! É a coisa mais perfeita que a natureza fora capaz de criar, e girando pelos braços de todos, sorria inocente sem ao menos saber do que se tratava tamanha algazarra, entre os participantes daquela grandiosa alegria.
Crescimento rápido, com muitos sonhos e promessas dos que me rodeavam, que eu teria um futuro grandioso, que seria uma grande política, ou talvez uma excelente médica, e ainda uma aeromoça, talvez uma perfeita advogada. E eu na minha mais completa inocência de criança, nem via o tempo passar, achando que realmente todos aqueles sonhos seriam realizados, e que tudo aquilo seria a coisa mais fácil da vida. Desejava crescer logo para que tudo acontecesse, e os sonhos se tornassem realidade.

Mas o cruel destino, aos quatorze aninhos tirou-me os meus dois portos seguros, e como um navio a deriva sem timoneiro fiquei a vagar, de mar em mar, perdida em grandes ondas, tempestades, maremotos, tsunamis. Uma folha seca perdida a vagar pela tempestade, até que caí em uma calçada, onde todos me pisoteavam, me chutavam, me varriam, pois é assim que se faz com uma folha seca, quando não à queimam, a jogam no charco, para que ela se deteriore e vire adubo, transformada pela água da chuva em simples lama, onde todos procuram ultrapassar para não se sujar, poderia ao menos ter sido uma política, que muito ganha sem nada fazer, a lama deles é farta e gostosa...


Odion Monte - contador, especialista em Filosofia Política pela Universidade de Teologia e Filosofia de Rio Branco - Acre (SINAL).É ainda, especialista em Pericia Judicial – UCG – Universidade Católica de Goiás - Bel. em Ciências Contábeis - FIRB/FAAO/AC


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