quinta-feira, 21 de maio de 2009

Até quando, meu Deus?




Prefeito de Sena Madureira, Nilson Areal. Salário superior ao do presidente Lula.

Jaidesson Peres

Começo este artigo citando um dos maiores filósofos da Antiguidade e que continua a influenciar até hoje o pensamento ocidental. Para Aristóteles, “considera-se como injusto aquele que viola a lei, aquele que toma mais do que lhe é devido, como também aquele que viola a igualdade, de sorte que, evidentemente, o homem justo é, portanto, o que observa a lei e respeita a igualdade”.
Aristóteles revela ainda: “Somente a justiça, entre todas as virtudes, é o ‘bem de um outro’, visto que se relaciona com o nosso próximo, fazendo o que é vantajoso a um outro, seja um governante, seja um associado. Ora, o pior dos homens é aquele que exerce a sua maldade tanto para consigo mesmo como para com os seus amigos, e o melhor não é o que exerce a sua virtude para consigo mesmo, mas para com um outro; pois que difícil tarefa é essa”.

Refletindo sobre as palavras do filósofo, depreende-se que a justiça, “a estrela mais brilhante de uma constelação”, está longe de concretizar-se plenamente em nosso meio. A Cidade justa, tão sonhada por Aristóteles, não passa de uma Cidade injusta, que é aquela onde o governo está nas mãos dos que não pensam no bem da polis e lutam por seus interesses particulares, pela honra ou pela glória.

Sena Madureira, minha amada cidade natal, vive atualmente um momento catastrófico em sua política. Pessoas picaretas, muitas ascendidas ao poder por causa da enorme estrutura econômica que as acompanha, há tempos enganam, roubam e manipulam um povo tão sofrido, trabalhador e honesto.

Nas eleições de 2008, testemunhamos a falta de ética e escrúpulo de um político que é acusado de usar o nosso dinheiro para pagar as despesas de campanha eleitoral, especificamente de um comitê eleitoral. Nem se fala ainda de alguns cheques da Câmara Municipal os quais foram ao espaço, sumiram simplesmente.

O prefeito de Sena Madureira sabe muito bem que, embora seja protegido por um poderoso grupo político do Estado, deverá responder e explicar-se sobre um caminhão que foi retido cheio de telhas, a serem entregues aos eleitores. Além disso, espera-se da Justiça uma resposta plausível sobre as supostas fraudes no resultado das últimas eleições, sendo que, ao serem cruzadas as informações dos livros de assinaturas dos eleitores, foram encontrados casos de pessoas que assinaram a lista em 2006, mas colocaram a digital no ano passado, como se fossem analfabetas. Em algumas seções, os eleitores votaram, porém não assinaram o livro; em outras, as assinaturas simplesmente não conferem.

Para completar o caos, o audacioso prefeito, administrador de um município com cerca de 40 mil habitantes e com a maioria da população situada na linha de pobreza, aumentou seu próprio salário, de 9 mil reais, para 14 mil reais. Chega a ganhar agora mais que o prefeito de São Paulo (R$ 9.339,04), mais que o governador de Minas Gerais (R$ 10.500) e, vergonhosamente, mais que o presidente Lula (R$ 11.420,21).

Sinceramente, como sena-madureirense, sinto-me envergonhado. Meus pais e toda a minha família, moradores em Sena Madureira, não merecem viver sob a custódia de gente tão irresponsável e indecorosa. Ao mesmo tempo em que estes governantes pensam no bolso deles e empregam membros da família no poder público, milhares de famílias são vítimas dos traficantes nas periferias, as crianças prostituem-se, as ruas estão encobertas pela lama, a nossa floresta é concedida para a destruição, as escolas não têm merenda e os postos de saúde não oferecem medicamentos.

O prefeito, que já foi acusado pelos seus atuais aliados de sucatear a Fundhacre e já foi secretário de Normando Sales - ex-prefeito que fugiu de Sena debaixo de ovos -, precisa refletir acerca de seus atos e, para o bem de todos, abdicar do cargo que lhe foi confiado, isto é, se os 9.555 votos existiram realmente.

Os cidadãos de Sena Madureira não podem permanecer inertes, acomodados. Devemos salvar a nossa cidade do perigo. Urge-nos fiscalizar, criticar e protestar contra qualquer tipo de desmando e banditismo em relação aos cofres públicos, visto que nestes está o dinheiro oriundo de nosso suor.


*Jaidesson Peres, 19 anos, é natural de Sena Madureira e acadêmico do 5º período de Comunicação Social/Jornalismo, do Instituto de Ensino Superior do Acre- Iesacre.
jaidessonperes@hotmail.com

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