quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Enquanto Tião Viana culpa povo do Acre, Lula defende



Lula: “Jorge Viana quase que não se elege”


Em resposta a questionamentos do jornalista acriano Altino Machado, nesta quarta-feira, 24, o presidente Lula defendeu o povo acriano pela postura adotada nas urnas durante as eleições deste ano. Foi no Acre que Dilma Rousseff teve seu pior desempenho, apenas 30% dos votos válidos.
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Logo após o resultado das urnas, o governador eleito Tião Viana (PT) saiu para o ataque e disse que o povo teria sido ‘injusto’, já o presidente Lula saí em defesa dos acrianos. “Certamente não é erro do povo. Se tem uma coisa certa lá é o povo”, afirma o presidente.


O Presidente da República lembrou-se da dificuldade que o ex-governador Jorge Viana teve para ser eleger senador. “Jorge Viana quase que não se elege", relatou. O petista perdeu na capital, Rio Branco, para o deputado federal Sergio Petecão (PMN). Em Capixaba, município administrado pelo PT, Viana perdeu até para o último colocado nas eleições, o professor João Correia (PMDB).
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Já são poucos os cientistas políticos que duvidam da inteligência política do presidente Lula. O nordestino que fugiu da seca e da fome pernambucana, não só elegeu-se duas vezes presidente como fez a própria sucessão. Conseguiu urgir não só uma desconhecida, mas acima de qualquer preconceito convenceu o brasileiro a eleger uma mulher, divorciada e que vive sozinha, ao cargo mais importante do País. Setores evangélicos e católicos até lutaram publicamente para que a “mulher” não fosse eleita a pretexto de uma suposta liberação do aborto, no fundo, os religiosos escondiam outros preconceitos gestados ainda pelo judaísmo primitivo, no qual a mulher tem papel secundário na vida social.

Foi com essa inteligência política que Lula logo previu que Marina Silva (PV) não conseguiria eleger-se senadora. “Marina foi candidata a presidente é porque ela tinha convicção de que não se reelegeria senadora”, afirma.

Caso fosse a candidata ao Senado, a verde acriana enfrentaria um concorrente tão carismático quanto Lula, o eleito Sérgio Petecão que durante as eleições foi tido entre o povo como um “pop star” notou o site de notícias AC24 horas. Petecão faz parte do rol de políticos que em alguns quesitos se aproximam da realidade da maioria do povo brasileiro. Como Lula, Dilma e Tiririca, Sergio Petecão tem pouca fluência no uso da língua culta portuguesa. Estes exemplos servem de alerta para duas situações: a primeira é que a sociedade começa a não mais querer eleger pessoas da alta classe social, que buscam perpetuar à desigualdade de renda no Brasil. A segunda é que a sociedade não consegue distinguir com clareza quem são os políticos que de fato estão dispostos a lutar contra a concentração de renda que assola o país. Acabam por trocar gatos por lebre.

Ainda falado do Acre, o presidente Lula destacou: “Você percebe que não basta obras. O povo não vota numa pessoa porque fez uma ponte ou uma rua. Vota se o resultado daquilo teve uma explicação política convivente para as pessoas”.
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Neste sábado 27, o governador Binho Marques vai inaugurar a quarta ponte sobre o Rio Acre, uma obra a beneficiar, principalmente os mais afortunados acrianos, a maioria esmagadora da população que é desprovida de transporte particular permanecerá com o precário sistema de transporte público. É como falei em outra oportunidade sobre os ônibus que circulam na capital: “estudantes, idosos, trabalhadores e demais cidadãos são tratados como lixos humanos entulhados em grande lata de ferro”.
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Lula possui realmente inteligência política e o acriano já percebeu que as obras petistas não melhoram as suas vidas. O acriano já percebeu que continuará sem casa pra morar, que muitas escolas são construídas não para prover educação, mas para repassar dinheiro público para empreiteras. Os policiais sabem que o dinheiro da segurança é prioritário para compra de “equipamentos” que garanta comissão aos que os vendem e não, necessariamente, para promover segurança à sociedade. Enfim, cansamos da elite no poder. No entanto, e, infelizmente, temos uma elite que sabe se reinventar - maquiar-se a si - uma elite que sempre retoma o poder, ora de forma clássica como a incorporada por FHC em outra oferecessem ao folclore, como a representada por Lula. É assim, e o assim será enquanto a maturidade democrática não bater à porta de cada brasileiro lhes dizendo: “Só há espaço no poder e vida melhor para todos, se todos, sem exceção, participarem da vida pública. Esqueça os pombos, a natureza sabe como alimentá-los”.


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