segunda-feira, 4 de julho de 2011

PEREGRINAÇÃO À TERRA SANTA

Em 1986, foi encontrado na lama do Mar da Galileia um barco antigo, da época de Jesus (Século I). Este barco está no museu de Kibbutz Ginasar.


Maria Otacília e Saulo Ribeiro

De um modo Geral, todo cristão tem vontade de conhecer a Terra Santa; pisar no chão que Jesus pisou; caminhar, navegar e sentir a emoção de estar vivenciando as passagens bíblicas tal qual aconteceram há mais de dois mil anos. Descrever essa emoção é por demais difícil, todavia narraremos com simplicidade essa que foi a maior aventura de nossa vida.

Começamos nossa peregrinação rumo à Igreja da Natividade, em Belém, e, segundo a Darflem (uma das guias), a manjedoura não existe mais por causa das constantes tentativas de pessoas para conseguirem relíquias (raspas) - O mesmo aconteceu com o Santo Lenho (Cruz). Uma parte foi para o Vaticano e a outra para o Líbano, para confecções de crucifixos. Isto aconteceu depois de ter sido encontrada por pessoas encarregadas por Santa Helena, mãe do Imperador Constantino. O Imperador era bizantino e transferiu a sede do império de Roma para Bizâncio.

No lugar onde Jesus nasceu e onde foi construída a Igreja da Natividade estão sepultados os santos inocentes que Herodes mandou sacrificar com o objetivo de matar o “messias”. Lá, como em todos os santuários, o Padre Bruno da Canção Nova fazia as leituras e as explicava. Ao final do dia, rezava a santa missa.

Visitamos também o jardim do Gethsemane. Ao lado, existe a Igreja que foi edificada na época bizantina e atualmente está sob a guarda dos padres beneditinos.

Estivemos em Ein Karem, lugar da visitação, na Basílica da Anunciação, onde Maria recitou o Magnífica e Zacarias teve a visão. Visitamos uma das grutas onde moravam os pastores na época de Jesus.

Jerusalém é a maior cidade de Israel e possui cerca de 750.000 habitantes. A cidade de Jerusalém é um misto de cidade antiga e cidade moderna, que fica nos arredores da cidade antiga. Em Israel, de maio a setembro a chuva é rara, mas tudo é muito verde. A terra lá é escassa e a água também. Passamos por lugares áridos, desérticos, sem vegetação, só areia e pedra. Lá existe muita pedra e, em Jerusalém, como em outras cidades de Israel, quase não têm edifícios altos (arranha-céus). A divisa de Jerusalém com a cidade de Belém é formada por uma alta e extensa muralha e tem hora para se entrar e sair. Essa muralha foi construída em razão das disputas entre judeus e palestinos pela posse de parte do território israelense. Atualmente, os palestinos governam a cidade de Belém. Os prédios, quando construídos em concreto e cimento, são todos revestidos com pedras, quase sempre da cor bege. São lindas! É impressionante contemplar Jerusalém à distância.

Quando entramos na Jerusalém antiga, que é circundada por um alto e largo muro, passamos pela Porta das Ovelhas; depois fomos aonde outrora existia o poço onde o paralítico foi curado (Tanque Betesda – João 5, 7-9). Naquele lugar, estão as ruínas da igreja da época dos cruzados (Cruzados eram cavaleiros de todos os países da Europa – na era bizantina). A Igreja de Santa Ana (mãe de Maria) está edificada também naquele local, pois ali ela tinha uma casa, onde Maria pousava quando ia a Jerusalém, segundo a tradição da igreja. Já houve um tempo, quando os muçulmanos dominavam Jerusalém, que funcionou ali, na Igreja de Santa Ana, uma escola muçulmana. De lá, saímos para a via-sacra, percorrendo as ruas da via-dolorosa, Capela da Flagelação, Capela da Condenação e o convento de “Ecce Homo”, onde Pilatos entregou Jesus à multidão (João 19, 5-16). Chegamos à Igreja do Santo Sepulcro às 19 horas. Aquele é o lugar mais santo da cristandade; o lugar do sepulcro e da ressurreição de Cristo. O túmulo, fechado em uma capela própria, é o ponto central de toda a Basílica do Santo Sepulcro.

A construção, que engloba o túmulo, foi erigida pelos cruzados sobre a base bizantina da época do Imperador Constantino. Desde o tempo dos cruzados, os recintos e o edifício da basílica tornaram-se propriedade das três maiores denominações – os greco-ortodoxos, os armênio-ortodoxos e os católicos romanos.

Quando a nossa Caravana chegou, já havia umas quatro outras esperando na fila o momento de adentrar. Existe ali uma grande miscigenação de culturas. Logo na entrada está a pedra da unção (no lugar onde foi colocado o corpo do Senhor antes do sepultamento). Os padres colocam perfumes, os mesmos da época de Jesus.

No lugar da sepultura, existe um forte esquema de segurança. Os homens que fazem a segurança só permitem a entrada de aproximadamente seis pessoas por vez. É proibido entrar com câmeras fotográficas e a visita deve ser rápida; somente alguns segundos.

Terminada a nossa via sacra, nos encaminhamos para a igreja de Santa Helena; depois visitamos a Igreja da Agonia, construída no lugar onde Jesus suou sangue. Daí fomos para o Monte Sião e depois para a Igreja da Dormição de Nossa Senhora. Estivemos na Igreja de Betânia, lá onde outrora moravam os irmãos Lázaro, Maria e Marta. Depois fomos para a parte oriental do Monte das Oliveiras. Atravessamos o deserto que separa Jerusalém de Jericó (Deserto de Judá). Passamos pelos beduínos (pessoas nômades). Moram atualmente em favelas e o governo de Israel não os aprova.

Continuando a viagem pelo deserto, em estrada asfaltada e de boa qualidade, chegamos ao Mar Morto, que na verdade se constitui em um grande buraco na terra abaixo do nível do mar cheio de água salinizada a um percentual de 33%. Tanto a água quanto a lama são medicinais. Na praia, existem um posto de gasolina, banheiros e um bazar.

Jericó é um oásis e é uma das cidades mais antigas do mundo. Tem cerca de 11.000 anos de existência e fica no deserto. Lá tem muita água doce e a população atual é de 20.400 (censo de 2006) habitantes. Jericó atualmente está sob a administração do povo palestino, mas ali a população é pacífica e todos transitam livremente, sem a necessidade de fiscalização ou muro. A população de Jericó é quase toda muçulmana, mas existem lá várias escolas católicas, onde os muçulmanos matriculam seus filhos, pois sabem que a educação é de primeira qualidade. Foi ali que o faraó morreu depois de ter construído vários palácios. De Jericó, fomos para Nazaré, viagem que demorou aproximadamente duas horas de ônibus. Essa já é a região da Samaria (onde ficava o antigo Reino de Israel). Naquele percurso, passamos por uma grande plantação de tamareiras e palmeiras. Há uns dez anos, tudo ali era deserto. Hoje, com a utilização da tecnologia usada na prospecção do petróleo, se produz ali muita fruta de boa qualidade. São mais doces e amadurecem mais rápido. Também naquela região se produz legumes e se comercializa a avicultura. Passamos por uma base militar antiaérea e deu pra perceber que Israel é bem protegido. Atravessamos a região da fronteira com a Jordânia, onde existe na faixa divisória dos dois países uma extensa cerca que detecta qualquer coisa que atravesse a fronteira e entre no território israelense.

Finalmente, chegamos a Nazaré, onde a população é de aproximadamente 80.000 habitantes, dos quais 33% são cristãos. Esclarecemos que em Belém somente 3% do povo é Cristão. De Nazaré, partimos para o Monte Tabor, na região da Galileia, lugar da transfiguração (Matheus, 17, 4-7). A igreja moderna foi construída pelos franciscanos em 1900, tal qual era na antiguidade.

Continuando a nossa caminhada, chegamos à Basílica da Anunciação, onde morava a Família de Nazaré. Lá antigamente existiu uma igrejinha construída pelos padres franciscanos, mas em 1964 o Papa Paulo VI colocou a pedra fundamental da basílica e hoje é possível se contemplar aquela obra magnífica, que continua sob a guarda dos franciscanos. Depois, partimos para Caná da Galileia, onde ocorreu o primeiro milagre de Jesus por intercessão de Nossa Senhora (João 2, 2-10). A igreja foi construída por volta de 1800 e também está sob os cuidados dos franciscanos.

Tel Aviv é a segunda maior cidade de Israel, com cerca de 391.300 habitantes (censo de 2009) e 101 anos de existência. Por lá passa também o maior rio de Israel, o Rio Jordão. O inverno ali é agradável e a temperatura varia em torno de 38 graus. Lá o costume do consumo do cafezinho começou há dez anos e atualmente existem várias lanchonetes especializadas no ramo.

Andamos e navegamos de barco no Mar da Galileia, que é na verdade um grande lago de água doce que recebe e libera água do Rio Jordão. Ao lado do Mar da Galileia, está localizada a cidade de Tiberíades, que fica também abaixo do nível do mar. Por essa razão, o Mar da Galileia é conhecido também por Mar de Tiberíades. Em Tiberíades se fala também o hebraico e os muçulmanos pretendem que a população fale somente o árabe, com a finalidade de dizer que ali nunca existiu cristão, mas o povo judeu continua resistindo e falando o hebraico.

O barco que navegamos é de propriedade dos judeus e constitui-se numa réplica de um barco da época de Jesus que foi encontrado na lama do Mar da Galileia em 1986. Este barco está preservado agora no Museu de Kibbutz Ginosar.

Estivemos onde outrora existiu a casa da sogra de Pedro, na cidade antiga de Cafarnaum, onde tantas vezes Jesus ficou para descansar após ter pregado para as multidões. No local, existem ruínas de casas da época de Jesus e de uma sinagoga construída no século V d. C. Cafarnaum fica nas margens ocidentais do Mar da Galileia. Visitamos a Igreja de Pedro, que está edificada sobre o lugar da antiga casa de sua sogra. Cafarnaum fica em uma região de fronteira e, na época de Jesus, pagava-se a quantia exorbitante de 90% de impostos.

Saímos da Igreja de Pedro e fomos para a Igreja das Bem-Aventuranças (Matheus 5, 1-11). Finalmente, chegamos à Igreja da Multiplicação (Matheus, 15 29-39). Lá, existe uma pia batismal do século IV d. C. Existe também um utensílio de pedra usado para a fabricação de azeite no tempo de Jesus.

Continuando, chegamos ao Rio Jordão, onde fizemos a renovação das promessas do batismo. Depois, passamos por uma ponte onde estão as ruínas de Betsaida.

No dia seguinte, saímos do hotel às 09:30h e seguimos na direção da cidade de Haifa, passando pela região de Jovolom, na parte norte de Israel e chegamos enfim ao porto de Haifa, situado ao norte do Centro de Haifa e se estende por três quilômetros ao longo da costa central da cidade, com atividades militares, industriais e comerciais.

Haifa é a terceira maior cidade de Israel, com 264.900 habitantes (censo de 2007) e fica na beira do Mar Mediterrâneo (parte oriental), que passa pela Turquia, Grécia, França e outros países. A moeda oficial de Israel é o Novo Shekel.

Em Haifa, está situado o Jardim Bahai, onde existe um templo da religião Bahai, que adota um livro secreto como fundamental. Depois de contemplarmos esse jardim, subimos o Monte Carmelo, onde o profeta Elias esteve por várias vezes. No alto do Monte Carmelo, existe a Igreja Estrela do Mar, a qual visitamos e chegamos à Basílica B. Marie Virginis, ainda no Monte Carmelo. A basílica está sob os cuidados das irmãs carmelitas. Encontramos lá a irmã Edna, de Macapá/AP, que nos recebeu muitíssimo bem. Foi lá que São Simão teve a visão para serem feitos os escapulários. Foi lá também que o profeta Elias lutou contra os falsos deuses e foi naquele local também que Edith Steim, que era judia, teve a visão e viu um livro que era a vida de Santa Tereza d’Ávila. Edith se converteu ao cristianismo, entrou para o convento e morreu martirizada subindo ao holocausto porque era judia. O Papa canonizou-a no ano 2000.

Naquela igreja também há um ícone dedicado a uma mulher muçulmana que teve muitas visões de Jesus. Seu nome é B. Mirjam Baquardy. Também ela se converteu ao cristianismo e terminou sua vida subindo ao holocausto. O Papa beatificou-a. Por isso, aquela igreja é ecumênica.

Chegamos ao término de nossa peregrinação no porto da cidade antiga de Jaffa, atualmente incorporada a Tel Aviv.

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5 comentários:

Anônimo disse...

Ótimo artigo. É um testemunho da realidade da vida de Cristo em nosso meio. Que esplendor!

Anônimo disse...

Infelizmente ainda exitem pessoas que vão à "Terra santa" mas não visitam os lugares onde Jesus sofreu o seu martirio por amor a nós. É uma pena!!!!irmãos de outras denominações, irmãos separados!!!!!!!!!!

Anônimo disse...

Verdade verdadeira o "Santo Sepúlcro existe" e em todos os santuários em Jeruzalém encontram-se imágens ou estampas "íCONES" E OS RESPONSÁVEIS, AQUELES QUE CUIDAM DE TUDO, SÃO OS PADRES.

Anônimo disse...

Jesus Cristo, o filho de Deus, gerado no seio da Virgem Maria, por obra e graça do E. Santo é o modelo de homem justo que todos deveriam imitar;, mas tem gente que prefere admirar "justiceiro" no caso "Che Guevara". Isso é confundir alho com bugalho, quem ama a justiça ama e segue "Jesus Cristo" caminho, verdade e vida!!!!!!!!!!

Anônimo disse...

Muito bom, Maria Otacília. É preciso que as pessoas conheçam sobre a terra de Jesus e este seu trabalho vai ajudar muita gente.